Setor de Ciências Biológicas

De fake news à eficácia das vacinas contra Covid-19, cientistas da UFPR esclarecem dúvidas da sociedade

Pesquisadores explicam assuntos variados relacionados à vacinação a partir de perguntas enviadas pela população de diferentes estados brasileiros

Dúvidas da sociedade sobre informações que circulam nas redes sociais relacionadas às vacinas contra Covid-19 foram esclarecidas por cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os pesquisadores ainda responderam perguntas da população de diferentes estados brasileiros sobre doses e eficácia, contraindicações, gravidez e amamentação e vacinação para crianças e adolescentes.

As dúvidas foram enviadas para a campanha Pergunte aos Cientistas, da Agência Escola de Comunicação Pública UFPR, que busca fortalecer o diálogo entre sociedade e pesquisadores, democratizando o acesso ao conhecimento científico.

“Para serem liberadas, as vacinas devem passar por testes denominados fases clínicas. São três fases clínicas e só aquelas que passam por todas elas podem ser submetidas ao processo de liberação. Nesse processo todos os dados são analisados rigorosamente por cientistas e técnicos com grande experiência. O risco de tomar vacina é infinitamente menor do que se contaminar com SARS-CoV-2 e contrair Covid-19”, responderam cientistas para uma das perguntas enviadas sobre confiança nas vacinas.

Nessa edição especial do Pergunte aos Cientistas sobre vacinas contra Covid-19, as dúvidas da população foram respondidas pelos pesquisadores Emanuel Maltempi de Souza, professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular e presidente da Comissão de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 da UFPR; Sonia Raboni, infectologista chefe do Complexo Hospital de Clínicas (CHC-UFPR) e integrante da Comissão de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 na Universidade; Patricia Dalzoto, professora do Departamento de Patologia Básica; Alexandra Acco, professora do Departamento de Farmacologia; Álvaro Henrique de Lima Silva, mestrando em Farmacologia; e Ana Paula Farias Waltrick, doutoranda em Farmacologia. Confira:

Verdadeiro ou falso?

“É confiável tomar as vacinas contra Covid-19 que estão sendo liberadas para população? É que estão falando tanto sobre essas vacinas, que daqui a alguns anos pode causar efeitos e etc. Aí fiquei em dúvida e pensei em esclarecer” (Marlise, 54 anos, Santa Catarina)
Cientistas UFPR – Olá, Marlise. Sim, é confiável. Para serem liberadas, as vacinas devem passar por testes denominados fases clínicas. São três fases clínicas e só aquelas que passam por todas elas podem ser submetidas ao processo de liberação. Nesse processo todos os dados são analisados rigorosamente por cientistas e técnicos com grande experiência.
Dessas fases, a mais importante é a chamada fase clínica 3. Nessa fase dezenas de milhares de voluntários são inoculados com a vacina e todos os parâmetros são acompanhados, incluindo efeitos colaterais e a capacidade da vacina de proteger aqueles que a receberam. Existe ainda uma fase clínica 4, que consiste em acompanhar por anos esses voluntários para verificar se não ocorre algum efeito de longo prazo. Ou seja, os protocolos de testes de vacinas são muito bem elaborados e cada vez mais rigorosos.
Vale lembrar que nenhum procedimento médico é absolutamente livre de riscos. É sempre possível que uma pessoa reaja de forma diferente e nunca antes registrada. Por isso o acompanhamento e descrição de qualquer caso fora do esperado é tão importante na medicina.
Mas podemos dar um dado que fala por si mesmo: para uma vacina (a da Pfizer) a fase 3 envolveu cerca de 40 mil voluntários. Vários efeitos colaterais foram descritos, como dor no local de aplicação, febre e dor de cabeça, especialmente depois da segunda dose. Mas ninguém morreu por causa da vacina. Por outro lado, quando tínhamos cerca de 40 mil doentes de Covid-19 (20/04/2020) no Brasil, já tínhamos mais de 2,5 mil mortes.
Mesmo agora com dezenas de milhões de pessoas vacinadas com a vacina da Pfizer não houve nenhuma morte. Houve, sim, aparecimento de um efeito colateral grave e bastante raro chamado de choque anafilático. Isso ocorre em aproximadamente 10 pessoas a cada 1 milhão que são vacinadas. Mas sabendo disso, nós podemos nos preparar para essa ocorrência. Por isso os locais de vacinação têm equipamentos e pessoal treinado para lidar com essa situação.
Esperamos ter convencido você que a vacina não é livre de risco, mas que o risco é infinitamente menor do que se contaminar com SARS-CoV-2 e contrair Covid-19.

“É verdade que quem se vacinar com a Coronavac não vai desenvolver a forma grave ou moderada da doença?” (Eliane Americo, 39 anos, Valparaíso de Goiás-GO)
Cientistas UFPR – Olá, Eliane. É exatamente isso que os resultados da fase clínica 3 desenvolvida no Brasil dizem. Nessa fase, quem recebeu a Coronavac ficou protegido da doença. Houve redução de 53% de aparecimento de Covid-19 para quem recebeu a vacina. E o mais importante é que ninguém foi hospitalizado ou desenvolveu doença grave. Ou seja, a Coronavac efetivamente protegeu 100% daqueles que a receberam em relação aos que receberam o placebo para a forma grave da doença.

“Recebi essa mensagem no WhatsApp: ‘Avisem a todos que forem tomar a vacina: No momento da vacinação não aceitem tomar a vacina se ela já estiver pronta na seringa para ser inserida… exijam que o profissional aspire do frasco na sua frente e mostre: nome e validade da vacina. Eles deixam seringas prontas com soro fisiológico e usam a vacina para amigos e familiares. Avisem que vão filmar. Denúncias na Anvisa. Não esqueçam o celular. Vamos exigir respeito.’ Isso é verdadeiro ou falso?” (Sandra)
Cientistas UFPR – Olá, Sandra. Infelizmente alguns profissionais que aplicam a vacina têm cometido crimes ao não inocular a vacina (seja usando seringa vazia, trocando seringas ou mesmo não injetando a vacina). Por isso é realmente importante acompanhar o procedimento do(a) técnico(a), incluindo a retirada da dose do frasco, a injeção em si, se não há trocas de seringas etc. Podemos ainda acrescentar observar se a vacina está sendo mantida refrigerada.
É importante lembrar que a grande maioria dos profissionais é honesto e desempenha com todo o cuidado essa função, além de arriscar sua própria saúde realizando esse trabalho. Portanto, merecem todo nosso respeito. Hoje eles têm sido instruídos a mostrar todas as etapas para que não reste dúvidas.

Gravidez e amamentação

“Nenhuma mãe que amamenta pode tomar a vacina? Meu bebê já está com 11 meses. Ainda mama em livre demanda, mas já está em alimentação de sólidos. Ele tomou todas as vacinas orientadas para idade. Gostaria de continuar amamentando, mas sou professora na rede pública e tenho medo de um retorno sem a vacina. Mesmo no meu caso a vacina não é recomendada?” (Juliana Queiroga – Belo Horizonte)
Cientistas UFPR – Olá, Juliana. Sua dúvida é muito relevante e frequente. Lactantes em geral não são incluídas em fase clínica 3 dos testes das vacinas. Então não podemos dizer com certeza se é seguro para o bebê.
Por outro lado, considerando a composição das diversas vacinas, não há razão para se prever que componentes tóxicos possam afetar o bebê através do leite materno. A recomendação do CDC (Center for Disease Control and Prevention) americano é que se a lactante estiver exposta à Covid-19, pode escolher tomar a vacina.
Sugerimos uma conversa com o médico pediatra para ver os prós e contras com cuidado e avaliar o que é melhor para você, considerando a sua exposição ao SARS-CoV2 e a segurança sua e do seu bebê.

“Estou com planos de engravidar, porém vou esperar tomar a vacina e depois engravidar. Haverá contraindicação da vacina do coronavírus para quem deseja engravidar?” (Gecione Adelino da Rocha, 33 anos, psicóloga, Parnamirim-RN)
Cientistas UFPR – Olá, Gecione. Em geral não há contraindicação em engravidar após a vacina. Mas é importante você verificar a recomendação específica da vacina que for administrada. Por exemplo, usualmente para vacina de vírus inativado sugere-se que aguarde um intervalo mínimo de quatro semanas. No caso das vacinas de mRNA (Pfizer e Moderna), o CDC (Center for Disease Control and Prevention) americano afirma que não há nenhuma contraindicação.
Você provavelmente vai tomar a vacina atenuada ou baseada em adenovírus. Para segurança máxima, é recomendável que você espere um mês para engravidar.

“Após eu ter tomado a vacina e a mesma já ter feito o efeito esperado no organismo, posso querer engravidar sem problemas? A contraindicação é para gestantes e pessoas em fase de amamentação, certo? Ou vacinas tomadas antes mesmo de se pensar em engravidar podem causar efeitos no organismo posteriormente após já terem dado a resposta imunológica esperada?” (Samara, Pinhais-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Samara. Mulheres grávidas correm maior risco de Covid-19 grave do que mulheres não grávidas, e a Covid-19 foi associada a um risco aumentado de parto prematuro. Por isso, grávidas fazem parte do grupo de risco da pandemia. Vale comentar que, embora haja muita preocupação com as gestantes, felizmente os estudos não identificaram defeitos congênitos associados à Covid-19; e mesmo que a transmissão do vírus da mãe para o bebê durante a gravidez seja possível, parece ser um evento raro.
Por cautela, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda a vacinação de mulheres grávidas neste momento, devido a dados insuficientes de eficácia e segurança das vacinas nessa população específica, já que as grávidas não entraram nas fases clínicas dos testes vacinais. No caso de uma mulher grávida ter um alto risco inevitável de exposição, como ser uma profissional da linha de frente da Covid-19, a vacinação pode ser considerada em acordo com seu médico.
Durante os testes clínicos de duas vacinas, algumas participantes inadvertidamente engravidaram (23 nos testes da Pfizer-BioNTech e 13 nos testes da Moderna mRNA) e estão sendo acompanhadas, mas ainda não há dados públicos sobre resposta vacinal ou problemas gestacionais nessas mulheres. É possível que nos próximos meses os resultados da participação dessas mulheres nos testes clínicos sejam disponibilizados.
Com base em vacinas contra outras doenças, é de se esperar que as vacinas da Covid-19 não causem problemas que impeçam mulheres vacinadas de engravidarem em seguida – para segurança máxima, é recomendável que se espere um mês para engravidar. Mesmo as vacinas da Covid-19 feitas com mRNA, que têm causado desconfiança por usarem uma nova tecnologia, quando estudadas em animais não afetaram a fertilidade nem causaram problemas na gravidez. Em humanos, outros tipos de vacinas geralmente são seguras para uso na gravidez, e na verdade, muitas são recomendadas. Também é importante salientar que:
– As vacinas de mRNA não contêm partículas de vírus.
– Dentro de horas ou dias, o organismo elimina as partículas de mRNA usadas na vacina. Portanto, é improvável que essas partículas atinjam ou cruzem a placenta.
– A vacina Pfizer-BioNTech Covid-19 (com mRNA viral), que embora tenha sido recentemente aprovada pela Anvisa, até este momento não é utilizada no Brasil.
Se você está pensando em engravidar, aceitar a vacina da Covid-19 assim que ela estiver disponível para você é uma ótima maneira de garantir que você – e sua gravidez – estejam protegidas. A vacinação contra Covid-19 não parece afetar a fertilidade futura.
Então, é importante que você converse com seu médico ginecologista a respeito do melhor momento para engravidar, seja pela vacinação, seja pela pandemia em si, que, lamentavelmente, não tem previsão de findar.

“Faço parte do grupo de lactantes. Em algum momento será liberada a vacinação para o grupo de lactantes?” (Michele, 38 anos, agente de saúde, Duque de Caxias-RJ)
Cientistas UFPR – Olá, Michele. Há muitas dúvidas sobre vacinação em mulheres gestantes e lactantes, pois ambas foram excluídas dos testes clínicos das vacinas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), se uma mulher que amamenta faz parte de um grupo de risco para contaminação da Covid-19, por exemplo, uma profissional de saúde, como no seu caso, é recomendada a vacinação; bem como a OMS recomenda a continuidade da amamentação após a vacinação.
Sobre a vacinação nessa fase é importante saber:
– Não há vírus nas vacinas de mRNA. Você não se contaminará pela Covid, ou passará Covid ao seu bebê, sendo vacinada. Os componentes da vacina não são conhecidos por prejudicar crianças em amamentação.
– Quando você recebe a vacina, as pequenas partículas da vacina de mRNA são processadas pelas células musculares no local da injeção e, portanto, é improvável que passem para o leite materno.
– Quando uma pessoa é vacinada durante a amamentação, seu sistema imunológico desenvolve anticorpos que protegem contra Covid-19. Esses anticorpos podem ser transmitidos para o bebê através do leite materno, podendo beneficiar o bebê com os anticorpos contra a Covid-19.
Apesar dos possíveis benefícios que a vacinação traria, não há plano de vacinação especificamente para lactantes, tanto no Brasil quanto em outros países. A distribuição de vacinas no Brasil iniciou pelos profissionais de saúde e algumas etnias suscetíveis, e posteriormente por faixa etária. Como a vacinação está sendo feita em cada município, é importante checar se em sua cidade há algum programa de vacinação que inclua lactantes.

“Sou profissional da área de saúde e também sou lactante. Minha filha tem seis meses e eu ainda amamento. Eu posso tomar a vacina da Covid ou tem algum risco para mim e minha filha?” (Sheila Nascimento Ribeiro da Silva, 35 anos, técnica em radiologia, Salvador-BA)
Cientistas UFPR – Olá, Sheila. Para as gestantes e lactantes pertencentes ao grupo de risco para Covid-19, a vacinação poderá ser realizada. Destacamos que não foram feitos estudos de segurança da vacina com gestantes ou lactantes. Porém, há um consenso que para lactantes que que pertençam ao grupo de risco, como estar em linha de frente de atendimento de pacientes Covid, a vacina tem sido recomendada.

Doses e eficácia

“O que acontece com a pessoa que tomar duas doses de cada vacina, de cada fabricante?” (Ernani Amaral, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Ernani. Ainda não há estudos sobre benefícios ou malefícios de doses sequenciais de vacina. Destacamos que somente agora iniciaram estudos com vacinas sequenciais de plataformas diferentes. Importante lembrar que tomar vacinas sem os intervalos recomendados não significa maior resposta imune, pois pode haver uma neutralização do vírus que foi aplicado sem dar tempo de que ocorra um estímulo adequado da imunidade. Portanto, isso não é recomendado. Além disso, sabemos que estão faltando vacinas. Então devemos deixar essas doses para outras pessoas.

“Como a vacina na Johnson consegue eficácia plena com apenas uma dose? E por que as outras não?” (Sabrina Falco Lin, 23 anos, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Sabrina! A vacina da Janssen (Johnson & Johnson) usa um vetor viral (adenovírus) modificado, com informações genéticas do SARS-CoV-2, para estimular a produção de anticorpos pelo nosso sistema imunológico (mesma tecnologia usada na vacina de Oxford/AstraZeneca). Ao contrário das outras vacinas desenvolvidas e que já estão sendo utilizadas mundialmente, a vacina da Johnson apresentou uma eficácia maior que 50% já na primeira dose. Ela foi testada em oito países, inclusive no Brasil, e apresentou uma eficácia de 66% contra casos moderados e graves de Covid-19, com uma única dose. Na África do Sul, onde há uma variante mais contagiosa do vírus, a eficácia foi de 57%. A proteção conferida pela vacina pode ser observada 14 dias após a aplicação e continua com o passar do tempo, garantindo 100% de proteção contra hospitalização e morte.
Como os resultados de eficácia já comprovam que uma dose é suficiente para garantir mais de 50% de eficiência, a segunda dose não é necessária. Entretanto, o laboratório está testando a possibilidade de uma segunda dose aumentar ainda mais a proteção contra o SARS-CoV-2.

“Quais os riscos de tomar apenas a primeira dose da vacina de Oxford? Se o único risco for a não sustentação da imunidade a longo prazo, esse risco poderá ser monitorado realizando testes de IgG periodicamente? Se sim, qual a melhor periodicidade? Com os dados disponíveis, quanto tempo é seguro engravidar após tomada a vacina de Oxford?” (Juliana Oliveira Pereira, 35 anos, servidora, Valinhos-SP)
Cientistas UFPR – Olá, Juliana! A vacina de Oxford deve ser aplicada em duas doses, com um intervalo de 120 dias entre elas. Acredita-se que esse é o melhor intervalo de tempo e que garante a maior eficiência da vacina. Entretanto, a primeira dose mostra uma eficiência de 76%, o que já é uma alta porcentagem. Segundo um estudo publicado na revista The Lancet em fevereiro de 2021, a imunidade é alcançada cerca de 22 dias após o recebimento da vacina. Portanto, a partir desse período espera-se encontrar anticorpos do tipo IgG. A proteção alcançada com a primeira dose é importante para reduzir o número de casos e as hospitalizações, reduzindo a sobrecarga nos sistemas de saúde e permitindo o controle da pandemia, mas a segunda dose é necessária para uma imunidade mais duradoura. Essa segunda dose, considerada como um reforço, aumenta a eficiência da vacina para 82%. Não foram realizados testes clínicos suficientes com gestantes e puérperas. Portanto, o Ministério da Saúde não recomenda a vacinação desses grupos, até o momento.

“O uso da ivermectina pode interferir na eficácia da vacina?” (Elaine, 44 anos, administradora, Canoinhas-SC)
Cientistas UFPR – Oi, Elaine. Não há relatos de medicamentos que interfiram na eficiência das vacinas, sendo assim, a vacinação é recomendada independentemente dos medicamentos que a pessoa tenha tomado. Mas é importante salientar que, apesar do que vemos nas redes sociais, não há evidências científicas comprovadas da eficácia da ivermectina na prevenção e no tratamento da Covid-19 e que todo e qualquer medicamento deve ser tomado com prescrição médica. A ivermectina é uma droga indicada para o tratamento de:
– Estrongiloidíase intestinal: infecção causada por parasita nematoide Strongyloides stercoralis.
– Oncocercose: infecção causada por parasita nematoide Onchocerca volvulus.
– Filariose: infecção causada por parasita Wuchereria bancrofti.
– Ascaridíase: infecção causada por parasita Ascaris lumbricoides.
– Escabiose: infestação da pele causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei.
– Pediculose: dermatose causada pelo Pediculus humanus capitis.

Crianças e adolescentes

“Tenho duas meninas gêmeas que têm asma e têm 11 anos. Crianças e adolescentes podem tomar a vacina? Sempre que elas tomam a vacina de gripe comum no posto, elas ficam com o braço inchado, vermelho, dolorido e às vezes até quente. Essa reação vai acontecer também quando elas tomarem a vacina da CoronaVac ou a de Oxford? Ou por conta dessa reação é contraindicado elas tomarem essas vacinas?” (Eliane Americo, 39 anos, Valparaíso de Goiás-GO)
Cientistas UFPR – Olá, Eliane. O Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, estabelece as contraindicações para a vacinação:
– Pessoas menores de 18 anos de idade.
– Gestantes.
– Pessoas que já apresentaram uma reação anafilática confirmada a uma dose anterior de uma vacina contra Covid-19.
– Pessoas que apresentaram uma reação anafilática confirmada a qualquer componente da(s) vacina(s).
Até o momento, não foram realizados testes clínicos suficientes com nenhuma das vacinas disponíveis e aprovadas no Brasil e no mundo em populações menores de 18 anos, gestantes e puérperas. Assim, a utilização dos imunizantes por esses grupos não é recomendada, por enquanto.

Doenças

“Tem alguma contraindicação da vacina para quem tem hipotireoidismo de Hashimoto?” (Maria de Fátima Lange, 57 anos, empresária, Curitiba-PR)
Cientistas UFPR – Olá, Maria de Fátima! Obrigada pela pergunta. Não existem contraindicações. De acordo com a Associação Americana da Tireoide e a Fundação Britânica da Tireoide, instituições especialistas no assunto, se o paciente com doenças relacionadas à tireoide estiver em condições médicas estáveis, a vacina pode ser tomada sem receio. Estudos clínicos foram realizados com milhares de indivíduos e, como as doenças de tireoide (incluindo hipertireoidismo de Hashimoto) são comuns na população, muito provavelmente esses pacientes também fizeram parte dos estudos como parte do grupo testado, e nenhuma reação adversa foi relatada. É evidente que são necessários estudos clínicos específicos para essas condições, mas os especialistas afirmam que a vacina não apresenta perigos e encorajam a vacinação assim que possível.

“A vacina de Covid-19 é indicada a fazer em pacientes que tiveram Covid na forma grave, internados na UTI, após quantos dias?” (Walkiria Yamasaki Uesu, 45 anos, dentista)
Cientistas UFPR – Olá, Walkiria. A vacinação de pessoas que já foram infectadas pelo novo coronavírus pode e deve ser realizada, pois realmente potencializa e melhora a resposta imune. Não temos recomendações específicas sobre o tempo mínimo para vacinar um paciente que tenha sido internado na UTI. A princípio não existem contraindicações para a vacinação logo após a recuperação do paciente. Porém, como alguns estudos mostraram que pessoas que passaram pela doença já desenvolvem uma imunidade natural duradoura, essa vacinação não precisa ser apressada.
Além disso, como ainda temos um baixo número de doses disponíveis, a prioridade deve ser a imunização dos grupos de risco que ainda não contraíram a doença. Outro dado interessante de pesquisas recentes, é que talvez esses pacientes precisem de uma dose única para reforçar a imunidade. Dois estudos mostraram que a resposta de anticorpos de quem já havia desenvolvido Covid-19 e se vacinou com uma dose, foi igual ou superior aos participantes que nunca haviam desenvolvido a doença e tomaram as duas doses da vacina. É importante ressaltar que essas pesquisas foram realizadas nos Estados Unidos, com vacinas da Pfizer e Moderna (ainda não disponíveis no Brasil), e os resultados podem não ser iguais para todas as vacinas.

“Tenho já constatado que desde o nascimento na origem do sangue tenho leucopenia feito exame na medula. Posso tomar a vacina? Qual risco? Tenho 54 anos, sou esportista, 1,71 altura, 66 kg e nenhum problema de saúde grave que inspire acompanhamento médico” (Vagner Trindade, 54 anos, São Paulo-SP)
Cientistas UFPR – Olá, Vagner! A leucopenia é uma diminuição global dos leucócitos, as células brancas do sangue. Existem cinco diferentes tipos de leucócitos: neutrófilos, eosinófilos, basófilos, linfócitos e monócitos, cada um com funções diferentes, mas de uma forma geral envolvidos com a defesa do organismo. Essa diminuição no número de leucócitos nem sempre resulta em sintomas ou alterações significativas no estado geral do indivíduo, pois a leucopenia não é uma doença e sim um achado laboratorial.
A vacina age estimulando a produção de anticorpos pelos linfócitos. No Brasil, até o momento, estão sendo aplicadas as vacinas da Oxford/AstraZeneca (em parceria com a Fiocruz) e a CoronaVac, do laboratório Sinovac (em parceria com o Instituto Butantan). A vacina de Oxford é produzida a partir de um vírus vivo, sem capacidade de se multiplicar. Esse vírus é um adenovírus modificado, que carrega a informação genética para produzir proteínas do novo coronavírus. Quando nossas células de defesa entram em contato com esse vírus, passam a produzir a proteína em sua superfície. Isso faz com que células do sistema imune sejam ativadas para produção de anticorpos contra essa proteína viral. A CoronaVac é produzida com o vírus inativado, ou seja, sem capacidade de causar a Covid-19, mas a sua presença estimula a produção de anticorpos. Em ambos os casos, além da produção de anticorpos, ocorre também a produção de células de memória, que irão responder mais rapidamente no caso de uma infecção real pelo SARS-CoV-2.
Vacinas podem causar efeitos adversos e, para as duas citadas acima, foram relatados dor de cabeça, dor no local da aplicação, fadiga e febre. Entretanto, nenhum efeito grave, que justificasse a não utilização das vacinas, foi reportado. A existência de leucopenia não parece estar associada com efeitos adversos dessas vacinas. Dessa forma, é esperado que um indivíduo com leucopenia seja capaz de produzir anticorpos após a vacinação. Entretanto, é recomendado que um médico seja consultado para determinar a segurança da vacina nesse caso específico.

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Por Chirlei Kohls
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing e Agência Escola de Comunicação Pública UFPR

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